Cadernos do Cárcere


 

 


Cristina >> Estude!
   Para não pagar mico postando músicas do Pink Floyd enquanto vota em políticos de direita.

William >> Eu separo a arte do artista.
  Gosto por exemplo das composições do Chico Buarque, porém prefiro a Centro Direita e ele é um comunista (ou socialista) histórico.
   Chico nasceu em 1944, em 1960 tinha 16 anos.
   Não vou pesquisar, mas os compositores das músicas do Pink Floyd devem ser dessa mesma geração.
  O grupo Pink Floyd foi formado em 1965, em Londres. 
  O auge do sucesso ocorreu durante a década de 1970.
   
  Esse pessoal que nasceu ou cresceu na década de 1960 e “arredores” foram muito influenciados pelo lema “Sexo, drogas e rock”.
  E pelo filósofo Antônio Gramsci que virou “moda”.
  Rock e crítica ao “sistema capitalista” tomaram conta do dito “Ocidente”.
   
  Gramsci nunca escreveu um livro pronto para publicação. 
  Os textos eram anotações feitas em cadernos escolares durante o tempo que esteve preso na Itália,  só foram organizados e publicados depois de sua morte  a partir de 1948. 
  “Cadernos do Cárcere”, uma coleção de 32 cadernos escritos por ele entre 1929 e 1935.
   É nessa obra que ele desenvolve e aprofunda suas teorias mais influentes, como a hegemonia cultural, os intelectuais orgânicos, a guerra de posições, a revolução passiva … aquela que você vai introduzindo certos conceitos na cultura vigente a quebrando por dentro.
   Meio artístico e universitário foram os preferidos para introduzir conceitos que levariam a substituição gradual da “direita” pela “esquerda”. 
   A religião continuava o “Ópio do Povo”, uma estrutura a ser demolida.

   Sem mais delongas …

   A religiosidade persiste forte no mundo.
   A ligação da mente humana com a “espiritualidade” é mais forte do que a teoria de Gramsci previa.

   A Internet descentralizou a informação, o meio acadêmico precisa defender suas teorias diante do público, não basta exibir um diploma para as pessoas.

   Os artistas não tem mais a privacidade das mídias de antigamente onde seu pessoal de marketing conseguia expor só os seus melhores ângulos físicos e comportamentais.
   Embora ainda existam fãs clubes da arte, o artista está cada vez mais uma pessoa “normal” que ficou famosa.
  O “Rei do Futebol” ou o “Deus do Pop” tem seus momentos de glória e podem cair rapidamente no esquecimento … assim como suas opiniões, se não estiverem fundamentadas em bons ARGUMENTOS.


Débora >> Um álbum do Pink Floyd é o símbolo da luta contra o Apartheid. 
  Você defendo o Apartheid???

William >> Você quer mudar para esse tema?
   Eu só conheço uma música do Pink Floyd.
   Outras que ouvi não gostei.
   Coloque a letra da música em questão e posso analisar.

   Entretanto, músicas basicamente são poesias cantadas (quando eu considero boas).
    Poesia é poesia, filosofia é outra coisa.

   “Eu quero ter um milhão de amigos” fica bonito na canção.
    Eu acho impossível ... a não ser que o conceito de “amigos” seja rebaixado a ter adicionados em redes sociais.
   (Coisa que nem existia na época dessa música do Roberto Carlos)


  Para Geração Z:
 
  O Apartheid (palavra em africâner que significa "separação") foi um regime oficial de segregação racial implementado na África do Sul entre 1948 e 1994.
 
   A legislação dividia a população por raça (brancos, negros, coloridos e asiáticos), privando a maioria negra de direitos políticos, civis e econômicos. 
  Os negros eram forçados a viver em áreas segregadas e necessitavam de passes para circular. 
  Foi encerrado após intensa pressão internacional e resistência interna.

  Embora a segregação e o racismo estrutural já existissem na África do Sul desde a colonização (com leis de controle de terras e circulação), o Apartheid institucionalizado começou em 1948.


   Eu não tenho argumentos para defender uma coisa dessas (Apartheid), muito pelo contrário.
   Não preciso de uma canção para me fazer entender que é errado.
   O que defendo em muitos textos é que a situação extrema que aconteceu na África do Sul NÃO ocorreu no Brasil.
   Um negro que nasceu em 1948 no Brasil não pode dizer que sofreu nenhuma politica oficial de discriminação.
   Muitos negros brasileiros usam ocorrências na África do Sul e Estados Unidos (os mais citados) para justificar ações afirmativas aqui ... ai eu tenho bons argumentos para ser contra, como a politica de cotas - Link

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Resumo:

  • 1. Separação entre Arte e Artista: É possível apreciar a obra de um criador (como as composições de Chico Buarque) mesmo discordando de suas convicções políticas (comunistas/socialistas) e mantendo uma posição de centro-direita.

• 2. A Influência Cultural da Geração de 1960: A geração moldada nos anos 1960 foi profundamente marcada pelo lema "Sexo, drogas e rock" e pela difusão do pensamento de Antônio Gramsci no Ocidente, especialmente nas artes e nas universidades.

• 3. A Estratégia de Ocupação Cultural (Gramscismo): As teorias de Gramsci — desenvolvidas nos Cadernos do Cárcere e publicadas postumamente — propõem a "guerra de posições" e a infiltração cultural para substituir gradualmente a direita pela esquerda, buscando também desmantelar a religião.

• 4. Limites da Teoria Gramsciana e Mudanças Tecnológicas: A religiosidade humana e a busca pela espiritualidade provaram ser mais fortes do que Gramsci previa. Além disso, a internet descentralizou a informação, exigindo que o meio acadêmico debata ideias publicamente em vez de apelar apenas para diplomas.

• 5. A Desmistificação da Figura Artística: Com as mídias atuais, artistas perderam a redoma de proteção e marketing do passado; tornaram-se pessoas comuns e suas opiniões políticas só têm validade se forem sustentadas por bons argumentos.

• 6. Distinção entre Poesia e Filosofia/Política: Letras de música são essencialmente poesias cantadas e não devem ser confundidas com visões filosóficas ou políticas coerentes do mundo real.

• 7. Inaplicabilidade da Realidade do Apartheid ao Brasil: O regime de segregação extrema da África do Sul não possui paralelo na história oficial brasileira, sendo um equívoco utilizar realidades estrangeiras (como EUA e África do Sul) para justificar políticas locais como o sistema de cotas.



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